Segurança

WebAuthn / Passkeys

WebAuthn e Passkeys — autenticação forte sem senha

Padrão W3C / FIDO2 de autenticação forte por criptografia assimétrica, que permite fazer login por biometria ou chave física sem senha. As passkeys são a evolução sincronizada multidispositivo, já padrão no iOS, Android e Windows.

Definição

O WebAuthn (Web Authentication) é um padrão W3C (2019), codesenvolvido com a FIDO Alliance sob o nome FIDO2, que permite a um site solicitar uma autenticação forte por criptografia assimétrica.

O usuário comprova sua identidade por meio de um authenticator (chave física, Touch ID, Windows Hello, Face ID), sem nunca digitar uma senha. As passkeys são sua evolução (2022+): credenciais WebAuthn sincronizadas entre dispositivos pela nuvem do fabricante (iCloud Keychain, Google Password Manager) ou entre dispositivos por QR code — tornaram-se o novo padrão de autenticação do grande público.

Como funciona

No cadastro, o authenticator gera um par de chaves próprio do site: a chave privada nunca sai do secure element, e a chave pública é armazenada pelo site. No login, o site envia um desafio (challenge) que o authenticator assina com a chave privada (após o desbloqueio biométrico), e o site verifica a assinatura.

A credencial é vinculada ao domínio (origin binding): um falso examp1e.com não tem a chave, o que torna o phishing impossível.

As 3 propriedades-chave

  • À prova de phishing: a credencial só funciona no domínio correto.
  • Sem segredo compartilhado: nenhuma senha a roubar, apenas chaves públicas do lado do servidor.
  • UX fluida: um Touch ID basta, sem SMS nem TOTP.

Authenticators

  • Platform (integrados): Touch ID/Face ID, Windows Hello, biometria Android — gratuitos, mas historicamente ligados a um dispositivo.
  • Roaming (externos): YubiKey, Titan Security Key, Feitian — portáteis e multidispositivo, mas precisam ser comprados e carregados.

Passkeys: a evolução

As passkeys sincronizam as credenciais entre dispositivos (iCloud Keychain, Google Password Manager, conta Microsoft), permitem a autenticação entre dispositivos por QR + Bluetooth e são geridas pelos password managers (1Password, Dashlane, Bitwarden). Consequência: fim da perda de credencial na troca de telefone.

Comparação

MecanismoSujeito a phishing?ForçaUX
SenhaSimFracaMédia
SMS OTPSim (SIM swap)MédiaFraca
TOTPSim (digitação)MédiaMédia
Push (app do banco)ParcialmenteMédiaBoa
WebAuthn / PasskeysNãoForteExcelente

Nível eIDAS e SCA

O WebAuthn atinge facilmente o nível Substancial (authenticator certificado + biometria local), e o nível Elevado com hardware certificado (YubiKey FIPS) e um registro presencial. Para a SCA da PSD2, ele combina inerência (biometria) e posse (authenticator) — dois fatores em um único gesto. Os bancos da UE o adotam progressivamente.

O que o WebAuthn / Passkeys não resolve

  • Não resolve a identidade: prova a posse da credencial, não quem você é (um KYC inicial continua exigido).
  • Não resolve a autorização: apenas a autenticação, não os escopos OAuth.
  • Não resolve o roubo de dispositivo desbloqueado: mitigado pela biometria obrigatória.
  • Não é universal: os navegadores antigos não o suportam (fallback necessário).
  • Não resolve o KYC remoto: abrir uma conta ainda exige comprovar a identidade (documento de identidade, EUDI Wallet).

O que o WebAuthn / Passkeys não é

  • Não é uma carteira de identidade: é uma chave de autenticação, não um contêiner de atributos (vs EUDI Wallet).
  • Não é uma senha com hash: é criptografia assimétrica.
  • Não é uma "chave biométrica": a biometria não sai do dispositivo, ela desbloqueia a chave localmente.
  • Não é o FIDO U2F: o U2F era um segundo fator; o FIDO2/WebAuthn permite a autenticação sem senha.

No ecossistema PSD2 / Open Finance

É a evolução natural da SCA: adoção crescente pelos bancos (app e portal web), uso do lado do TPP para o back-office, desbloqueio da EUDI Wallet e integração no Click to Pay para um checkout sem senha de cartão.

Exemplos concretos

  • Apple ID, conta Google: passkeys-first desde 2022-2023.
  • GitHub: 2FA com passkey amplamente adotado pelos desenvolvedores.
  • Boursobank, N26, Revolut: login no app via passkeys / biometria local.
  • Click to Pay: padrão EMVCo baseado em WebAuthn para o checkout sem digitação de cartão.
  • France Identité: usa credenciais próximas do FIDO2 para a autenticação biométrica local.
  • SIM swap: a fraude que matou a confiança no OTP por SMS — o WebAuthn é seu antídoto.
  • YubiKey: após sua implantação interna em 2017, o Google eliminou o phishing em suas contas.

Fontes

Aprofundar

No blog

Leituras mais completas para ir além da definição.

7 de abril de 2026
técnico

Arquitetura técnica de uma API DSP2: o que é preciso saber antes de escrever a primeira linha de código — Ler o artigo

Panorama técnico da DSP2 para CTOs, desenvolvedores e PMs técnicos: padrões de API, segurança (mTLS, certificados eIDAS), OAuth2, fluxos SCA, gestão do consentimento, armadilhas de implementação.

6 de abril de 2026
regulação

Entender a PSD2: o que ela muda para seus clientes e seu negócio — Ler o artigo

Tudo o que um dirigente, um product manager ou uma equipe de negócios precisa entender sobre a PSD2 (DSP2). Atores, consentimento, oportunidades, sem jargão técnico.