Técnico

IBAN

International Bank Account Number

O identificador único e internacional de uma conta bancária. Na França, 27 caracteres que contêm ao mesmo tempo o banco, a agência, o número da conta e um dígito de controle.

Definição

O IBAN (International Bank Account Number) é o identificador único e internacional de uma conta bancária, definido pela norma ISO 13616.

Seu comprimento varia conforme o país (de 15 a 34 caracteres), mas seu papel é o mesmo em toda parte: permitir que qualquer banco encaminhe um pagamento à conta correta sem ambiguidade.

Anatomia de um IBAN francês

Um IBAN francês tem 27 caracteres. Exemplo: FR76 3000 6000 0112 3456 7890 189

  • FR — código do país (2 letras, ISO 3166).
  • 76 — dígitos de controle internacionais (2 dígitos, algoritmo MOD 97-10).
  • 30006 — código do banco (5 dígitos).
  • 00001 — código da agência (5 dígitos).
  • 12345678901 — número da conta (11 caracteres).
  • 89 — dígito de controle RIB nacional (2 dígitos).

Os 23 últimos caracteres constituem o antigo RIB francês: o IBAN é o RIB prefixado com o código do país e os dígitos de controle internacionais.

Comprimentos de IBAN por país

Algumas referências:

  • Alemanha: 22 caracteres (DE89 3704 0044 0532 0130 00).
  • França, Espanha, Itália: 27 caracteres.
  • Bélgica: 16 caracteres.
  • Suíça: 21 caracteres.
  • Malta: 31 caracteres (o mais longo na zona SEPA).

Daí o erro de integração mais frequente: prever um campo de 27 caracteres acreditando que é universal. É preciso prever no máximo 34 caracteres.

Validação: MOD 97-10

O algoritmo é simples:

  1. Mover os 4 primeiros caracteres para o fim da cadeia.
  2. Substituir cada letra por sua posição no alfabeto + 9 (A=10, B=11, … Z=35).
  3. Calcular o resultado módulo 97.
  4. Se o resultado for 1, o IBAN é estruturalmente válido.

Atenção: estruturalmente válido não significa conta existente. É a VoP que verifica, além disso, se o nome corresponde ao titular e se a conta está ativa.

IBAN vs BIC

  • IBAN — identifica a conta (e, indiretamente, o banco, pelos códigos de país e de banco).
  • BIC — identifica o banco (seu código SWIFT).

Desde 2016, o BIC deixou de ser obrigatório no SEPA: o IBAN sozinho basta, pois o banco destinatário pode ser deduzido dele. O BIC continua útil para transferências fora do SEPA ou como campo de consistência em certas APIs.

O que o IBAN não faz

  • Não revela o nome do titular: esse é o papel da VoP.
  • Não garante que a conta esteja ativa: um IBAN válido pode corresponder a uma conta encerrada.
  • Não é confidencial em sentido estrito: ele transita em toda transferência, mas permanece sensível (risco de débitos fraudulentos se o mandato não for verificado).
  • Não é um RIB: o RIB é o formato nacional francês que reúne IBAN, BIC, titular e endereço em forma imprimível.

No ecossistema PSD2

O IBAN é o identificador-chave de todas as APIs da PSD2: o debtorAccount da autorização de pagamento, o creditorAccount da requisição de pagamento no STET e no Berlin Group, obrigatório em qualquer requisição de transferência.

Exemplos concretos

  • Campo de formulário: maxlength=34, remoção dos espaços e conversão em maiúsculas no front-end, validação MOD 97-10 no servidor antes da chamada de API. O erro clássico: validar apenas o comprimento.
  • Exibição: agrupar em blocos de 4 caracteres separados por espaços — padrão ISO e bem mais legível.
  • Bibliotecas: iban (npm), python-stdnum, iban4j (Java) cuidam da validação e da formatação — nunca reimplementar o MOD 97-10 na mão.
  • Wise, Revolut, N26: seus IBANs de clientes costumam ser belgas ou lituanos (licença local). Perfeitamente válidos no SEPA para um cliente francês, mesmo que alguns empregadores ainda os recusem — uma prática ilegal nos termos do regulamento SEPA.
  • IBANs virtuais: Treezor, Swan ou Stripe Treasury geram IBANs virtuais vinculados a uma conta-mãe, para rastrear por cliente ou por finalidade — muito usado na cobrança.
  • Segurança: nunca registrar um IBAN em texto puro; tratá-lo como dado sensível.

Fontes

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