Regulação

ACPR

Autorité de Contrôle Prudentiel et de Résolution (autoridade francesa de supervisão prudencial e resolução)

O regulador francês de bancos, seguradoras e fintechs. É a ACPR que concede as autorizações de PSP, AISP e PISP — e que pode revogá-las.

Definição

A ACPR (Autorité de Contrôle Prudentiel et de Résolution) é o regulador francês de bancos, seguradoras e fintechs.

Vinculada ao Banque de France, é ela que concede as autorizações de que qualquer ator da PSD2 precisa para operar na França — PSP, EME, AISP, PISP, CBPII — e que pode revogá-las em caso de descumprimento.

ACPR, EBA, Banque de France: quem faz o quê

Três atores frequentemente confundidos:

  • EBA — autoridade europeia, que escreve as normas técnicas (RTS, guidelines).
  • ACPR — autoridade francesa, que aplica essas normas: autorização, supervisão, sanção.
  • Banque de France — banco central, ao qual a ACPR está vinculada (instalações e recursos compartilhados), embora mantenha independência em suas decisões.

A ACPR é o interlocutor direto de toda fintech francesa em busca de autorização.

O que a ACPR faz

  • Concede as autorizações: instituição de pagamento (IP), de moeda eletrônica (EME), AISP, PISP, CBPII.
  • Supervisiona de forma contínua: capital mínimo, dispositivo antilavagem (AML/CFT), governança, segurança de TI.
  • Fiscaliza no local e por documentos: auditorias, solicitações documentais, visitas-surpresa.
  • Sanciona por meio de sua Comissão de Sanções: do aviso à revogação da autorização, com multas que podem chegar a € 100 mi ou 10% do faturamento.
  • Mantém o registro nacional de PSP (REGAFI), consultável online para verificar se um ator está autorizado.

O que a ACPR não faz

  • Não escreve a lei: isso cabe à Comissão Europeia (diretivas) e ao Parlamento francês (transposição).
  • Não redige os RTS: isso é da EBA.
  • Não resolve litígios de clientes: esse papel cabe ao ouvidor competente ou às associações de consumidores.
  • Não supervisiona os mercados financeiros: isso é da AMF (Autorité des Marchés Financiers, a autoridade francesa dos mercados financeiros).

No ecossistema PSD2

A ACPR é o ponto de entrada obrigatório de toda fintech francesa que vise o perímetro da PSD2. Em seguida, ela repassa a informação ao registro da EBA para ativar o passaporte europeu.

Exemplos concretos

  • Obter uma autorização: Bridge, Pennylane, Qonto, Lydia e Fintecture obtiveram todos o seu status junto à ACPR antes de operar. Conte de 6 a 12 meses de análise e um dossiê robusto (governança, TI, capital próprio, plano de continuidade).
  • Verificar um parceiro: antes de assinar com um prestador, consulta-se o REGAFI para confirmar seu status e o escopo exato de sua autorização.
  • Sanções notáveis: a ACPR já aplicou multas de vários milhões de euros por descumprimentos de AML/CFT — um risco concreto, não teórico.
  • Monitoramento útil: a ACPR publica regularmente análises, posições e recomendações (fintech, criptos, IA) que antecipam as fiscalizações futuras.

Fontes

Aprofundar

No blog

Leituras mais completas para ir além da definição.

7 de abril de 2026
técnico

Arquitetura técnica de uma API DSP2: o que é preciso saber antes de escrever a primeira linha de código — Ler o artigo

Panorama técnico da DSP2 para CTOs, desenvolvedores e PMs técnicos: padrões de API, segurança (mTLS, certificados eIDAS), OAuth2, fluxos SCA, gestão do consentimento, armadilhas de implementação.

6 de abril de 2026
regulação

Entender a PSD2: o que ela muda para seus clientes e seu negócio — Ler o artigo

Tudo o que um dirigente, um product manager ou uma equipe de negócios precisa entender sobre a PSD2 (DSP2). Atores, consentimento, oportunidades, sem jargão técnico.