Ator

CBPII

Card Based Payment Instrument Issuer

Emissor de um cartão lastreado em uma conta mantida em outro banco. Antes de cada pagamento, ele faz a esse banco uma única pergunta: "os fundos estão disponíveis?"

Definição

Um CBPII (Card Based Payment Instrument Issuer) emite um cartão de pagamento lastreado em uma conta mantida em outro banco (o ASPSP).

Seu papel na PSD2 é deliberadamente minimalista: antes de cada transação, ele pergunta ao banco se os fundos estão disponíveis. É só isso.

CBPII x PISP x AISP

Três papéis de TPP, três escopos muito diferentes:

  • AISP — leitura completa das contas (saldos, histórico).
  • PISP — disparo de uma transferência a partir da conta.
  • CBPII — uma simples verificação sim/não da disponibilidade dos fundos, no contexto de um pagamento com cartão que ele mesmo emitiu.

O CBPII não vê seu histórico e não faz nenhuma transferência: apenas faz ao seu banco uma pergunta fechada, a cada uso de seu cartão.

O que um CBPII pode fazer

  • Emitir um cartão (físico ou virtual) ligado a uma conta mantida em outro ASPSP.
  • Perguntar ao ASPSP, transação por transação, se o saldo cobre o valor.
  • Receber uma resposta binária (fundos disponíveis: sim / não), sem detalhe do saldo.

O que um CBPII não pode fazer

  • Ver o saldo exato ou as transações (papel do AISP).
  • Iniciar uma transferência (papel do PISP).
  • Armazenar a resposta para uso futuro: a verificação é pontual.
  • Operar sem autorização nem consentimento explícito do PSU.

No ecossistema PSD2

O CBPII é um caso muito específico: só faz sentido se o cartão emitido não for lastreado em sua própria conta — caso contrário, ele não precisa da PSD2 para consultar seus próprios dados.

Exemplos concretos

  • Cartão multiconta — Curve: o exemplo emblemático. Na loja, no momento do pagamento, a Curve consulta o banco que você escolheu (BNP, Revolut, N26…) para verificar os fundos e depois o debita via rede de cartão. A Curve atua como CBPII.
  • Cartões corporativos: algumas fintechs B2B emitem cartões para colaboradores lastreados na conta empresarial principal (Qonto, Shine) e usam o status de CBPII para verificar os fundos antes de cada despesa.
  • Cartões "challenger" sem conta própria: alguns emissores preferem evitar o status de banco e se apoiam no CBPII mais uma parceria com Visa/Mastercard para vincular um cartão à conta existente do cliente.
  • A observar: é de longe o status de TPP menos difundido — muito restrito, ao passo que a maioria dos atores prefere emitir suas próprias contas (EME ou EP).

Veja também: Manual STET

Fontes

Aprofundar

No blog

Leituras mais completas para ir além da definição.

7 de abril de 2026
técnico

Arquitetura técnica de uma API DSP2: o que é preciso saber antes de escrever a primeira linha de código — Ler o artigo

Panorama técnico da DSP2 para CTOs, desenvolvedores e PMs técnicos: padrões de API, segurança (mTLS, certificados eIDAS), OAuth2, fluxos SCA, gestão do consentimento, armadilhas de implementação.

6 de abril de 2026
regulação

Entender a PSD2: o que ela muda para seus clientes e seu negócio — Ler o artigo

Tudo o que um dirigente, um product manager ou uma equipe de negócios precisa entender sobre a PSD2 (DSP2). Atores, consentimento, oportunidades, sem jargão técnico.