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EME

Instituição de Moeda Eletrônica (Établissement de Monnaie Électronique)

Status específico para emitir e gerir moeda eletrônica: wallets, cartões pré-pagos, contas de Banking-as-a-Service. Treezor, Swan e Sumeria são EME franceses.

Definição

Um EME (Établissement de Monnaie Électronique, instituição de moeda eletrônica) é um PSP autorizado a emitir, gerir e distribuir moeda eletrônica (e-money): unidades de valor armazenadas em um suporte eletrônico (cartão, wallet, conta) contra a entrega de fundos.

Originado da segunda Diretiva de Moeda Eletrônica (EMD2, 2009), o status é concedido pela ACPR, com um capital mínimo de 350.000 €.

O que é a moeda eletrônica

Três critérios cumulativos (artigo L.315-1 do CMF):

  • Armazenada eletronicamente (cartão pré-pago, wallet, token aplicacional).
  • Emitida contra a entrega de fundos (1 € recebido = 1 unidade emitida, jamais criação monetária como faz uma EC).
  • Aceita por terceiros como meio de pagamento.

É isso que distingue o e-money de um simples crédito contábil: transferível, aceito por outros atores e reembolsável a qualquer momento ao portador.

EME vs EP vs EC

EPEMEEC
Capital mín.20-125 mil €350 mil €5 M€
Emite e-moneyNãoSimSim (raro)
Emite cartõesAdquirente apenasEmissor (BIN sponsor)Sim
Recebe depósitosNãoNãoSim
SegregaçãoSim (EC terceira)Sim (EC terceira)Não
Concessão de créditoVinculada ao pagamentoNãoSim

Na prática, o EME é um "super EP" especializado: pode fazer todos os serviços de pagamento de um EP, além da emissão de e-money.

O caso BaaS: por que tantas fintechs são EME

O status EME é a base jurídica do Banking-as-a-Service europeu. Emitir cartões em marca branca (programa Visa ou Mastercard) pressupõe ser principal member da rede — ou seja, ter um BIN e assumir o risco emissor, papel reservado às EC e aos EME. Daí a estruturação como EME da Treezor, Swan, Modulr, Solaris ou Hype.

Segregação estrita dos fundos

Como um EP, o EME segrega os fundos representativos do e-money emitido, junto a uma EC terceira ou por meio de ativos seguros. Em caso de falência, a wallet não é um depósito (portanto não coberta pelo FGDR), mas o dinheiro fica isolado do balanço do EME.

O que um EME não pode fazer

  • Conceder crédito (salvo o de curto prazo acessório a um pagamento, como um EP): nem consumo nem cheque especial estrutural.
  • Receber depósitos: o e-money não é um depósito e permanece reembolsável a qualquer momento.
  • Remunerar o e-money: proibido no direito europeu. Para oferecer rendimento, os EME passam por uma SICAV ou uma EC parceira (a Sumeria com a Carmignac, por exemplo).
  • Ser supervisionado pelo BCE: os EME ficam com a ACPR (fora do perímetro do MUS).

No ecossistema PSD2

O EME é um PSP no sentido da DSP2: assume as obrigações de SCA, pode ser ASPSP (se mantiver contas de pagamento) e deve respeitar os RTS de API. É também via os EME que opera a maioria das fintechs early-stage, em nome próprio ou como agentes (Treezor, Swan, Modulr).

Exemplos concretos

  • EME franceses: Treezor (subsidiária da Société Générale, líder em BaaS), Swan (BaaS API-first), Sumeria (oriunda da Lydia, 2024), Lemonway e Mangopay (marketplaces), Hype (cartões pré-pagos).
  • EME europeus: Modulr (Reino Unido), Solaris (Alemanha), Railsr (Reino Unido), Wise (multimoeda), Revolut (EME no Reino Unido antes de virar EC).
  • Caso Qonto: emite seus cartões em marca branca via Treezor como agente. A Treezor mantém a relação com a Mastercard, a Qonto opera o produto — migração prevista para nome próprio com a autorização de EC.
  • Sumeria e a remuneração: como o e-money não é remunerável, a Sumeria distribui os fundos via uma SICAV monetária da Carmignac que "carrega" o rendimento.
  • Custo do status: capital mínimo de 350 mil €, fundos próprios calculados sobre o saldo de e-money em circulação (~2% em média), reporte trimestral e auditoria anual.
  • Prazo de autorização: de 9 a 18 meses na ACPR, com alta taxa de reprovação no primeiro pedido — o acompanhamento de compliance é quase obrigatório.
  • Evolução PSD3 / PSR: fusão prevista dos regimes EP e EME em um status único de PSP (impacto 2026-2028), um tema que os EME acompanham de perto.

Fontes

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